Descoberta revela conjunto de facas de 1.500 anos na Turquia

Uma descoberta arqueológica recente na antiga cidade de Hadrianópolis, localizada no norte da Turquia, trouxe à tona um conjunto de facas com cerca de 1.500 anos de idade, oferecendo novas pistas sobre a vida cotidiana durante os períodos romano tardio e bizantino inicial.
O achado foi feito durante escavações no distrito de Eskipazar, na província de Karabük, sob a coordenação do professor Ersin Çelikbaş, da Universidade de Karabük. Segundo os pesquisadores, o conjunto inclui quatro facas de ferro e uma pedra de amolar, encontrados juntos em uma área identificada como parte de uma cozinha dentro do chamado Complexo da Estrutura de Banho.

Facas revelam hábitos do cotidiano
O fato de os objetos terem sido descobertos no mesmo local sugere que eram utilizados em conjunto, provavelmente em atividades domésticas. Inicialmente fragmentadas, as facas passaram por um processo de restauração em laboratório, permitindo que os especialistas reconstruíssem suas formas originais.
De acordo com Çelikbaş, embora as facas apresentem variações de tamanho, elas possuem características semelhantes, o que as torna especialmente valiosas como um conjunto completo, e não apenas como artefatos isolados.
A presença desses utensílios em uma cozinha reforça a ideia de que eles estavam diretamente ligados às tarefas diárias, como o preparo de alimentos e o manejo de animais, práticas comuns nas comunidades da época.

Indícios de criação de animais
Os arqueólogos destacam que a descoberta fortalece evidências anteriores de que a criação de animais era uma atividade predominante na região durante os séculos V e VI d.C. A localização das facas sugere que os moradores do complexo estavam envolvidos em atividades de pecuária, como o abate e processamento de carne.
Esse contexto é particularmente importante para compreender a organização social e econômica da antiga Hadrianópolis. A presença de ferramentas específicas indica uma rotina estruturada e uma economia baseada em recursos locais.
Pedra de amolar amplia compreensão histórica
Outro elemento significativo encontrado junto às facas foi uma pedra de amolar, conhecida localmente como “kosure tasi”. Esse tipo de ferramenta era utilizado para afiar lâminas e outros instrumentos cortantes.

Segundo os pesquisadores, a descoberta dessa pedra é especialmente relevante porque indica que sua utilização na região pode ser muito mais antiga do que se pensava. Até então, havia registros de extração desse material apenas durante o período otomano, séculos depois.
Com isso, o achado sugere uma continuidade cultural e tecnológica, demonstrando que técnicas de manutenção de ferramentas já eram empregadas na região há mais de um milênio.
Datação confirma origem milenar
A datação dos artefatos foi realizada com base na estratigrafia, método que analisa as camadas de solo onde os objetos foram encontrados. Esse tipo de análise permitiu aos pesquisadores situar o conjunto de facas entre os séculos V e VI d.C.

Essa descoberta não apenas amplia o conhecimento sobre a vida em Hadrianópolis, mas também reforça a ideia de que práticas como a criação de animais e o uso de ferramentas especializadas permaneceram relativamente constantes na região ao longo de aproximadamente 1.500 anos.
Importância para a arqueologia
O conjunto de facas é considerado um achado raro do ponto de vista metodológico, já que foi encontrado completo e em contexto definido. Isso permite uma interpretação mais precisa sobre seu uso e significado histórico.
Para os arqueólogos, descobertas como essa são fundamentais para reconstruir aspectos da vida cotidiana que muitas vezes não são registrados em textos históricos. Objetos simples, como facas e pedras de amolar, podem revelar detalhes valiosos sobre hábitos, economia e tecnologia de civilizações antigas.
Com as escavações ainda em andamento, os pesquisadores acreditam que novas descobertas em Hadrianópolis poderão trazer ainda mais informações sobre o passado da região e suas conexões com o mundo romano e bizantino.






