Fósseis revelam incêndios florestais na Europa do Triássico

Pesquisadores da Universidade de Utrecht apresentaram novas evidências sobre a relação entre samambaias e incêndios florestais durante a extinção em massa do Triássico, ocorrida há aproximadamente 201 milhões de anos. O estudo sugere que as savanas de samambaias na Europa antiga contribuíram para a propagação de incêndios, prolongando a devastação ambiental.
Fósseis de samambaias e incêndios florestais
A pesquisa indica que, após a queda das florestas dominadas por árvores devido a erupções vulcânicas, as samambaias se espalharam rapidamente por grandes áreas da Europa, criando ambientes propensos a incêndios. Os cientistas analisaram sedimentos bem preservados de quatro núcleos de perfuração, incluindo um de 640 metros coletado no Reino Unido, para reconstruir a atividade de incêndios antigos.
Causas da extinção em massa do Triássico
As erupções vulcânicas associadas à fragmentação de Pangeia liberaram grandes quantidades de CO2 na atmosfera, elevando as temperaturas globais entre 5 e 10 graus Celsius. Esse aumento de temperatura causou o colapso das florestas, criando condições favoráveis para o crescimento das samambaias, que se tornaram a principal vegetação em áreas devastadas.
Métodos de pesquisa e descobertas
Os pesquisadores utilizaram uma combinação de medições de carvão fóssil e compostos orgânicos provenientes da fumaça de incêndios, conhecidos como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), para rastrear a atividade de incêndios. A análise revelou um aumento significativo na atividade de incêndios durante a fase principal da extinção, coincidindo com a expansão das samambaias.
Análise das mudanças de cor em microfósseis
Uma das inovações do estudo foi a análise das mudanças de cor em microfósseis orgânicos, utilizando um índice de escuridão de palinomorfos. Os pesquisadores observaram que, ao contrário do esperado, os fósseis mais antigos permaneceram claros, enquanto os fósseis do intervalo de extinção tornaram-se progressivamente mais escuros, indicando um período prolongado de atividade intensa de incêndios.
Os resultados foram publicados na revista Nature Geoscience em 21 de julho de 2026, e oferecem uma nova perspectiva sobre os impactos ambientais da extinção em massa do Triássico, destacando a importância das samambaias na dinâmica de incêndios florestais.






