Estudo revela impacto de gorduras no câncer pancreático

Um novo estudo da Yale School of Medicine sugere que o tipo de gordura consumida pode ter um papel mais significativo no desenvolvimento do câncer pancreático do que a quantidade total ingerida. A pesquisa, publicada na revista Cancer Discovery, revela que enquanto algumas gorduras aceleram o crescimento tumoral, outras podem retardar a progressão da doença.
Gorduras e seu efeito no câncer pancreático
Os pesquisadores descobriram que o ácido oleico, principal gordura presente no azeite de oliva, pode promover o crescimento de tumores em modelos animais predispostos ao câncer pancreático. Essa constatação é surpreendente, dado que o ácido oleico é frequentemente considerado benéfico para a saúde cardiovascular. O câncer em questão é o adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC), que apresenta altas taxas de mortalidade, com apenas 13% dos pacientes sobrevivendo por cinco anos após o diagnóstico.
Oleico acelera crescimento tumoral
Os resultados indicam que dietas ricas em ácido oleico levaram a um desenvolvimento tumoral mais rápido em camundongos com uma mutação genética que simula a PDAC humana. Em contraste, dietas que incluíam ácidos graxos poli-insaturados, especialmente os ácidos graxos ômega-3 encontrados em óleos de peixe, demonstraram reduzir o avanço da doença em até 50% em comparação com dietas padrão.
Comparação entre diferentes tipos de gordura
Para investigar os efeitos específicos das gorduras, os cientistas desenvolveram 12 dietas ricas em diferentes tipos de gordura, mantendo a mesma quantidade calórica. Essa abordagem diferenciada permitiu uma análise mais precisa do impacto de cada tipo de gordura, em contraste com estudos anteriores que frequentemente utilizavam uma única fonte de gordura em quantidades excessivas, não refletindo os hábitos alimentares humanos.
Ferroptose e a sobrevivência celular
Os pesquisadores também exploraram o conceito de ferroptose, um tipo de morte celular programada induzida pela oxidação de lipídios. A composição das membranas celulares pancreáticas, influenciada pelos ácidos graxos, afeta a vulnerabilidade das células cancerígenas à oxidação. Os ácidos graxos poli-insaturados, por serem mais suscetíveis à oxidação, tornam as células tumorais mais propensas a danos, o que pode ser um fator crucial na progressão do câncer.
Esses achados ressaltam a importância de estratégias dietéticas na prevenção do câncer pancreático, um dos tipos mais letais da doença. A pesquisa abre novas perspectivas para o desenvolvimento de intervenções nutricionais que possam impactar positivamente a saúde e a sobrevivência dos pacientes.






