Caminhante encontra peça de ouro rara do século 6 na Noruega

Uma caminhada na região de Dalsnuten, próxima à cidade de Sandnes, no sudoeste da Noruega, levou à descoberta de um raro ornamento de ouro usado em bainhas de espada há cerca de 1.500 anos. O objeto foi encontrado por um morador local sob uma árvore caída e, segundo arqueólogos, é o primeiro exemplar do tipo identificado na região de Rogaland.
Especialistas do Museu de Arqueologia da Universidade de Stavanger confirmaram que a peça pertence a um grupo extremamente raro de adornos do período das Migrações. Apenas 17 exemplares semelhantes haviam sido encontrados anteriormente em todo o norte da Europa.
O artefato mede cerca de seis centímetros de largura, pesa 33 gramas e apresenta detalhes em filigrana de ouro — técnica ornamental feita com fios metálicos finos e entrelaçados. A análise foi conduzida pela arqueóloga e professora aposentada Siv Kristoffersen, que classificou o objeto entre os trabalhos mais sofisticados produzidos na primeira metade do século VI.

Segundo os pesquisadores, a decoração revela figuras de animais voltadas uma para a outra. O motivo artístico pertence ao chamado “Animal Style I”, estilo difundido no norte e oeste da Europa durante o período das Migrações, marcado por instabilidade política e deslocamentos populacionais.
O arqueólogo Håkon Reiersen, professor associado do Museu de Arqueologia da Universidade de Stavanger, afirmou que descobertas desse tipo são incomuns. O próprio caminhante relatou que percebeu um brilho ao remexer um monte de terra com um galho sob a árvore.
Diferentemente de outros adornos semelhantes encontrados na Escandinávia, a peça apresenta sinais evidentes de desgaste. Para os pesquisadores, isso indica que o objeto foi usado regularmente como símbolo de autoridade e posição social.

Os arqueólogos associam a descoberta ao sítio de Hove, um antigo complexo agrícola localizado no distrito de Austrått, em Sandnes. A área já havia revelado outros objetos de ouro em escavações anteriores e é considerada um dos principais centros de poder da antiga região de Jæren.
Reiersen avalia que o ornamento pode ter sido enterrado deliberadamente como oferenda ritual. Segundo ele, o proprietário da espada provavelmente integrava a elite local e liderava um grupo de guerreiros durante a primeira metade do século VI.
A descoberta também reforça hipóteses sobre práticas religiosas adotadas durante um período de crise climática no hemisfério norte. Em 536 d.C., uma grande erupção vulcânica lançou cinzas na atmosfera e provocou anos de resfriamento intenso, colheitas fracassadas e declínio populacional em partes da Escandinávia. Epidemias de peste bubônica também atingiram a Europa na mesma época.
Pesquisadores acreditam que objetos valiosos enterrados nesse período, incluindo adornos de ouro e armas ornamentadas, eram oferecidos aos deuses em busca de proteção diante de desastres naturais e instabilidade social.
A peça passará por estudos adicionais antes de ser exibida no Museu de Arqueologia da Universidade de Stavanger.






