Pesquisa restaura função de receptores NMDA em autismo

Uma nova abordagem terapêutica desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Ciência Básica (IBS) promete restaurar a função dos receptores NMDA, que frequentemente apresentam disfunção em casos de autismo e outros transtornos neurodesenvolvimentais. A estratégia envolve a inibição de um transportador de glicina, o SLC6A20, utilizando oligonucleotídeos antisense.
Nova estratégia terapêutica
A pesquisa se concentra na inibição do transportador de glicina SLC6A20, uma proteína que regula os níveis de glicina no cérebro. Ao contrário de abordagens anteriores que visavam aumentar a glicina bloqueando o transportador GlyT1, que está amplamente presente em regiões do tronco encefálico, a nova estratégia se mostra mais seletiva e menos propensa a efeitos colaterais.
Mecanismo de ação do tratamento
O tratamento com oligonucleotídeos antisense (ASOs) para reduzir a expressão do SLC6A20 demonstrou restaurar a atividade dos receptores NMDA em modelos murinos com mutações nos genes SHANK2 e SHANK3, associados ao autismo. A terapia não apenas aumentou a atividade dos receptores, mas também corrigiu padrões anormais de fosforilação em proteínas envolvidas na sinalização sináptica.
Resultados em modelos animais
Os resultados mostraram que a inibição do SLC6A20 restaurou a função dos receptores NMDA em vários modelos de camundongos relacionados ao autismo. Além disso, o tratamento melhorou comportamentos sociais e reduziu a autoagressão, com efeitos observados mesmo em animais adultos, sugerindo que a disfunção dos receptores NMDA pode ser corrigida após estágios avançados do desenvolvimento cerebral.

Implicações para outras condições neurológicas
Os pesquisadores também indicaram que a abordagem pode ter implicações para outras condições neurológicas e psiquiátricas que envolvem a redução da atividade dos receptores NMDA, como esquizofrenia e algumas formas de deficiência intelectual. A pesquisa sugere que a inibição do SLC6A20 pode representar uma estratégia terapêutica promissora para um grupo mais amplo de transtornos neurodesenvolvimentais e neuropsiquiátricos.
Os achados foram publicados na revista Nature Communications. A pesquisa abre novas perspectivas para o tratamento de distúrbios relacionados à disfunção dos receptores NMDA, oferecendo um caminho mais seguro e eficaz para intervenções terapêuticas.






