Pesquisadores recriam moléculas de 160 milhões de anos contra superbugs

Pesquisadores da Universidade de Oregon reconstruíram peptídeos antimicrobianos com até 160 milhões de anos, revelando que algumas versões antigas são mais eficazes contra bactérias resistentes do que as contemporâneas. O estudo, publicado na revista PLOS Biology, pode oferecer novas abordagens para o tratamento de infecções que não respondem a antibióticos tradicionais.
Reconstituição de peptídeos antimicrobianos antigos
Os cientistas analisaram a evolução dos peptídeos antimicrobianos, que são fragmentos de proteínas essenciais para a defesa contra patógenos. A pesquisa focou na lactoferrina, uma proteína imune que surgiu no final do período Jurássico e que desempenha um papel crucial na proteção contra infecções. Os pesquisadores utilizaram um método de reconstrução de sequências ancestrais para traçar a história evolutiva desses peptídeos.
Evolução do lactoferrin e suas funções
A lactoferrina é encontrada em quase todos os fluidos corporais, exceto no sangue, e atua principalmente na privação de ferro, um nutriente essencial para o crescimento bacteriano. Além disso, contém um peptídeo antimicrobiano que pode danificar as membranas bacterianas. Essa combinação de funções a torna uma ferramenta poderosa na luta contra infecções.
Método de reconstrução de sequências ancestrais
A pesquisa utilizou a técnica de reconstrução de sequências ancestrais, pioneered by Joseph Thornton, para estimar as sequências genéticas dos ancestrais comuns de mamíferos. A partir dessas sequências, os cientistas sintetizaram proteínas antigas em células, permitindo a avaliação de sua atividade antimicrobiana contra patógenos como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus.

Resultados promissores contra bactérias resistentes
Os peptídeos reconstruídos mostraram uma atividade antimicrobiana crescente, com algumas versões antigas superando a eficácia das formas modernas. Um dos achados mais significativos foi que uma única mutação na cadeia de aminoácidos aumentou consideravelmente a potência dos peptídeos. Esses resultados indicam que a pesquisa pode abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos eficazes contra infecções resistentes.
A reconstituição de peptídeos antimicrobianos antigos representa um avanço significativo na busca por alternativas aos antibióticos tradicionais. A pesquisa não apenas elucida a evolução de proteínas essenciais, mas também oferece um caminho promissor para o combate a infecções resistentes, um desafio crescente na medicina moderna.






