Tesouro viking com pulseiras de ouro é achado na Dinamarca

Uma descoberta feita por acaso no norte da Dinamarca revelou um dos mais importantes tesouros vikings de ouro já encontrados no país. Seis pulseiras maciças, datadas de mais de mil anos, foram localizadas perto da região de Rold, em Himmerland, formando o chamado “Tesouro de Rold”.
O conjunto pesa 762,5 gramas e já é considerado a terceira maior descoberta de ouro da Era Viking registrada na Dinamarca. Segundo arqueólogos, os objetos ajudam a compreender o poder político e a riqueza das elites escandinavas entre os séculos 10 e 11.
Os primeiros itens chegaram ao conhecimento dos pesquisadores em 22 de abril de 2026, quando um morador entregou dois anéis de ouro ao departamento arqueológico do Museu do Norte da Jutlândia. As peças haviam sido vistas parcialmente expostas no solo ao lado de uma estrada rural em uma área florestal próxima de Rold.
A equipe do museu iniciou imediatamente uma investigação no local. Durante buscas com detectores de metal, os arqueólogos encontraram outra pulseira próxima ao primeiro ponto da descoberta. Pouco depois, outras quatro peças apareceram a cerca de 15 metros dali, todas intactas e feitas de ouro maciço.
“É uma descoberta completamente única. Nunca vimos algo parecido aqui no museu”, afirmou Torben Sarauw, arqueólogo e gerente de patrimônio cultural do Museu do Norte da Jutlândia.

Segundo os pesquisadores, joias desse tipo eram relativamente comuns na Escandinávia viking, mas normalmente produzidas em prata. Exemplares em ouro eram restritos às camadas mais poderosas da sociedade.
“As reservas de ouro na Era Viking estavam concentradas entre a elite absoluta da sociedade, e é justamente por isso que descobertas desse tipo são extremamente raras”, disse Sarauw.
As pulseiras apresentam diferentes técnicas de fabricação. Algumas foram produzidas a partir de barras torcidas de ouro decoradas com fios metálicos finos e fechos arredondados. Outras possuem extremidades fechadas por nós metálicos apertados. Uma das peças se destaca pelos padrões geométricos em zigue-zague e triângulos gravados nas extremidades achatadas.

Os arqueólogos dataram o tesouro entre os anos 900 e 1000 d.C., período marcado pela consolidação política do território dinamarquês sob uma monarquia unificada. Foi nessa fase que o rei Harald Bluetooth expandiu seu domínio e mandou erguer a famosa Pedra de Jelling, monumento associado à formação do reino da Dinamarca.
Para os pesquisadores, as joias tinham importância política e simbólica além do valor material. Pulseiras de ouro funcionavam como demonstrações públicas de riqueza, alianças e lealdade entre membros da elite viking.
O fato de todas as peças terem sido encontradas inteiras também chamou a atenção dos arqueólogos. Objetos vikings de prata costumam aparecer fragmentados para uso em trocas comerciais, prática conhecida como “hack silver”. No caso do Tesouro de Rold, as pulseiras não foram cortadas, o que sugere uma função cerimonial ou um depósito deliberado para proteção de bens.

“Quando anéis desse tipo eram enterrados juntos, isso geralmente é interpretado como um depósito intencional, seja para proteger objetos valiosos em tempos de instabilidade ou como parte de práticas rituais”, explicou Sarauw.
O local exato da descoberta não foi divulgado. A área fica em propriedade privada e os responsáveis pelo achado pediram anonimato.
As pulseiras foram oficialmente classificadas como “Danefæ”, categoria legal aplicada a tesouros históricos que passam a pertencer ao Estado dinamarquês. Os objetos seguirão para análises adicionais antes de serem transferidos ao Museu Nacional da Dinamarca.
Fonte: ancient-origins.net






