Estudo revela ferramentas de 146 mil anos na China

Uma nova pesquisa realizada na China revisou a idade do sítio arqueológico de Lingjing, onde foram encontradas ferramentas de pedra atribuídas a humanos primitivos. A análise de cristais formados em ossos remonta a fabricação desses artefatos a 146 mil anos, durante um período de glaciação.
Descoberta de cristais redefine idade do sítio arqueológico
Cristais de calcita encontrados em um osso de animal no sítio de Lingjing foram utilizados para datar as ferramentas de pedra, desafiando a ideia anterior de que a criatividade humana floresceu em períodos mais quentes. A pesquisa sugere que a fabricação dessas ferramentas ocorreu em um contexto de adversidade climática, o que pode ter influenciado o desenvolvimento cognitivo dos Homo juluensis.
Ferramentas de pedra e a inteligência dos Homo juluensis
Os Homo juluensis, habitantes do sítio, apresentavam características físicas que os ligam tanto a humanos modernos quanto a Neandertais. As ferramentas de pedra encontradas, como núcleos e lâminas, indicam um nível de planejamento e sofisticação na fabricação, desafiando a visão de que a tecnologia na Ásia Oriental era inferior à da Europa e África durante o Pleistoceno.
Processo de fabricação das ferramentas indica planejamento
A produção das ferramentas em Lingjing envolvia um processo metódico. Os núcleos de pedra eram moldados com precisão, com um lado destinado a ser a superfície de impacto e o outro para a produção de lascas afiadas. Essa abordagem demonstra um entendimento avançado das propriedades da pedra e da mecânica de fratura, sugerindo que esses humanos primitivos possuíam habilidades cognitivas complexas.

Importância dos cristais na datação dos artefatos
Os cristais de calcita atuaram como um ‘relógio natural’, permitindo uma nova estimativa da idade do sítio. Anteriormente, acreditava-se que as ferramentas tinham cerca de 126 mil anos; agora, a datação sugere que são aproximadamente 20 mil anos mais antigas. Essa nova cronologia altera a interpretação do desenvolvimento humano durante o Pleistoceno, evidenciando que a criatividade e a adaptação ocorreram em tempos de dificuldade.
A pesquisa foi publicada no Journal of Human Evolution e contribui para a compreensão da evolução humana, destacando a capacidade de adaptação e inovação em condições adversas.






