Universidade da Califórnia desenvolve químico que elimina cupins

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Riverside, desenvolveram um novo químico chamado bistrifluron, que elimina até 95% das colônias de cupins sem causar danos aos humanos. O composto atua bloqueando a formação de novos exoesqueletos nos insetos durante o processo de muda, levando à destruição das colônias de forma mais segura e eficaz.
Mecanismo de ação do bistrifluron
O bistrifluron interfere na capacidade dos cupins de formar um novo exoesqueleto, essencial para sua sobrevivência. Durante a muda, os cupins precisam descartar o exoesqueleto antigo e criar um novo, processo que ocorre cerca de sete vezes ao longo de suas vidas. O químico impede a síntese de quitina, um componente fundamental do exoesqueleto, resultando na morte dos insetos quando tentam se livrar do exoesqueleto antigo sem ter um novo para substituí-lo.
Resultados dos testes laboratoriais
Em testes laboratoriais, o bistrifluron demonstrou eficácia superior em comparação a outros inibidores de síntese de quitina, como o clorfluazuron e o noviflumuron. Em um teste sem escolha, o composto alcançou 99% de mortalidade em 60 dias. Em um teste de escolha com uma taxa de 0,1%, a mortalidade foi de 96% no mesmo período. O estudo também revelou que, mesmo com apenas 5% dos cupins expostos ao bistrifluron, a mortalidade total da colônia foi alcançada em 90 dias, devido à transferência do material ingerido entre os membros da colônia.
Vantagens em relação a métodos tradicionais
O uso do bistrifluron apresenta vantagens significativas em relação aos métodos tradicionais de controle de cupins, que frequentemente envolvem fumigações tóxicas. Segundo Nicholas Poulos, um dos autores do estudo, o novo químico é mais amigável ao meio ambiente e específico para insetos, não apresentando os riscos de toxicidade associados a outros métodos. Além disso, a ação do bistrifluron é mais prolongada, proporcionando uma proteção duradoura contra infestações.
Potencial de aplicação em infestações
A pesquisa sugere que o bistrifluron pode ser aplicado não apenas em cupins secos da espécie Incisitermes minor, mas também em outras espécies, como os cupins subterrâneos. O método pode ser especialmente relevante em regiões como a Califórnia, onde as infestações de cupins são comuns. A capacidade do químico de se espalhar pela colônia após o consumo do material tratado pode facilitar o controle de infestações de forma mais eficiente.
O desenvolvimento do bistrifluron representa um avanço significativo na luta contra cupins, oferecendo uma alternativa mais segura e eficaz aos métodos convencionais. A pesquisa foi publicada no Journal of Economic Entomology e pode contribuir para o manejo sustentável de pragas em ambientes urbanos.






