Novas espécies de mamíferos habitavam o Ártico há 73 milhões de anos

Paleontólogos descreveram três novas espécies de mamíferos multituberculados que viveram em florestas polares há aproximadamente 73 milhões de anos. As espécies, denominadas Camurodon borealis, Qayaqgruk peregrinus e Kaniqsiqcosmodon polaris, oferecem novas perspectivas sobre a biodiversidade do Ártico durante o período Cretáceo.
Descrição das novas espécies de mamíferos
As novas espécies de mamíferos multituberculados foram identificadas a partir de fósseis encontrados na Formação Prince Creek, localizada no Círculo Polar Ártico. A Formação Prince Creek contém depósitos datados de 73 milhões de anos, onde foram descobertos dentes fossilizados que revelam adaptações alimentares distintas. Camurodon borealis apresentava dentes típicos de herbívoros, enquanto Qayaqgruk peregrinus e Kaniqsiqcosmodon polaris eram onívoros, com dietas que incluíam insetos e vegetais.
Evidências de migração entre continentes
A análise genética sugere que Qayaqgruk peregrinus está intimamente relacionado a uma espécie encontrada na Mongólia, indicando que seus ancestrais migraram da Ásia para a América do Norte. Essa migração é considerada uma das primeiras evidências conhecidas de mamíferos cruzando continentes, ocorrendo há cerca de 92 milhões de anos. A descoberta implica a existência de um corredor terrestre que facilitou essa movimentação, desafiando a ideia de que o Ártico era uma região isolada do ponto de vista evolutivo.
Adaptações e sobrevivência em ambientes extremos
As novas espécies de mamíferos demonstram adaptações notáveis a um ambiente extremo, caracterizado por longos períodos de escuridão e temperaturas congelantes. A diversidade na forma dos dentes sugere que essas espécies desenvolveram estratégias alimentares distintas, permitindo sua coexistência em um habitat com recursos limitados. Essa adaptabilidade pode ter contribuído para a sobrevivência dos multituberculados durante eventos de extinção em massa, incluindo o impacto do asteroide que eliminou os dinossauros não-avianos.

Publicação e relevância da pesquisa
Os resultados da pesquisa foram publicados em um artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. A pesquisa contribui para a compreensão da evolução dos mamíferos e das dinâmicas ecológicas no Ártico, revelando um passado mais complexo e interconectado do que se pensava anteriormente.
As descobertas sobre as novas espécies de mamíferos multituberculados ampliam o conhecimento sobre a biodiversidade do passado e a resiliência das espécies em face de mudanças ambientais extremas. A pesquisa ressalta a importância de estudar os registros fósseis para entender melhor a história evolutiva da vida na Terra.






