Duplicação de genomas ajudou plantas a sobreviver à extinção

Um estudo recente analisou 470 espécies de plantas com flores e revelou que a duplicação do genoma ocorreu de forma significativa durante crises ambientais severas na Terra. A pesquisa sugere que essa adaptação genética pode ter funcionado como um mecanismo de sobrevivência em períodos de extinção em massa.
Análise de espécies de plantas com flores
Os pesquisadores, liderados por Dr. Yves Van de Peer da Universidade de Ghent, construíram um extenso conjunto de dados genômicos que abrange 470 espécies de plantas com flores. A análise identificou 132 eventos de duplicação do genoma, que não estão distribuídos aleatoriamente, mas agrupados em momentos críticos de mudanças ambientais. Essa descoberta lança luz sobre a evolução das plantas e sua capacidade de adaptação.
Efeitos da duplicação do genoma
A duplicação do genoma, embora possa ser custosa em termos de recursos, também oferece vantagens. Plantas com genomas duplicados podem apresentar maior variação genética, o que permite a evolução de novas funções gênicas. Isso pode ser crucial para a sobrevivência em condições adversas, como estresse hídrico ou temperaturas extremas.
Padrões de duplicação em períodos críticos
A pesquisa revelou que as duplicações do genoma tendem a ocorrer durante períodos de grande instabilidade ambiental, como a extinção em massa causada por um asteroide há 66 milhões de anos e o Máximo Térmico Paleoceno-Eoceno, que ocorreu há cerca de 56 milhões de anos. Essas duplicações podem ter conferido uma vantagem adaptativa em momentos em que a sobrevivência era desafiadora.
Implicações para o clima atual
Os resultados do estudo oferecem insights sobre como as plantas podem reagir às mudanças climáticas contemporâneas. Durante o PETM, as temperaturas globais aumentaram entre 5 e 9 graus Celsius em um período de 100 mil anos, um cenário que, embora mais lento, é comparável ao aquecimento atual. A pesquisa sugere que a poliploidia pode ajudar as plantas a enfrentar as condições climáticas adversas que se aproximam.
Os achados foram publicados em um artigo na revista Cell, contribuindo para a compreensão da evolução das plantas e suas respostas a desafios ambientais.






