Cientistas descobrem enzima viral que modifica proteínas bacterianas

Pesquisadores do EMBL Heidelberg identificaram uma enzima viral que provoca modificações em proteínas bacterianas, permitindo que os fagos, vírus que infectam bactérias, evitem as defesas do hospedeiro. O estudo revela uma nova estratégia utilizada pelo fago T7, que desencadeia uma onda de modificações proteicas que desativam os sistemas imunológicos das bactérias.
Estratégia dos fagos contra defesas bacterianas
Os fagos estão em uma constante corrida armamentista molecular com as bactérias, que evoluem defesas contra infecções. A pesquisa mostra como uma única proteína do fago pode iniciar uma cascata de mudanças moleculares, desarmando múltiplos mecanismos de defesa bacteriana. Essa descoberta é resultado de uma colaboração entre o Typas Group e o Savitski Team, que se especializam em interações bacterianas e tecnologias de proteômica, respectivamente.
Impacto da enzima T7 quinase nas proteínas
A enzima T7 quinase, identificada pela primeira vez na década de 1970, se mostrou capaz de fosforilar quase todas as proteínas bacterianas em um curto espaço de tempo. Os pesquisadores observaram que, minutos após a infecção, a maioria das proteínas da bactéria E. coli apresentava modificações de fosforilação. Essa atividade foi considerada sem precedentes, levando os cientistas a descreverem a enzima como um ‘canhão solto’.
Mecanismo de ação e suas implicações
Os pesquisadores descobriram que a T7 quinase atua brevemente, desligando-se em 5 a 6 minutos após a infecção. A estrutura da enzima sugere que ela pode se ligar ao DNA, posicionando-se perto de proteínas bacterianas que também interagem com material genético. Essa ligação pode interferir na função de proteínas centrais para os sistemas de defesa bacteriana, permitindo que o fago infecte cepas resistentes.
Perspectivas para terapias com fagos
As descobertas podem abrir novas possibilidades para o uso de fagos em terapias antimicrobianas. A identificação de estratégias evolutivamente conservadas entre diferentes fagos pode ajudar a desenvolver tratamentos mais eficazes contra infecções bacterianas. Os pesquisadores pretendem investigar outras modificações proteicas e como elas influenciam a infecção por fagos, contribuindo para a bioengenharia de fagos que possam ser utilizados em terapias.
O estudo foi publicado na revista Nature e representa um avanço significativo na compreensão da interação entre fagos e bactérias, com implicações potenciais para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.






