Estudo sugere que chemosimbiose precedeu o Cambriano

Um estudo recente revela que o animal marinho Conotubus hemiannulatus, que viveu há mais de 540 milhões de anos, pode ter sobrevivido em ambientes tóxicos e ricos em enxofre por meio de uma relação simbiótica com bactérias. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Nanjing e da Virginia Tech, analisa a importância dessa interação para a evolução dos organismos.
Descoberta de Conotubus hemiannulatus
O Conotubus hemiannulatus é um organismo tubular que habitou o fundo do mar no final do período Ediacarano, pouco antes da explosão Cambriana da vida animal. Os fósseis foram encontrados na Formação Dengying, na província de Shaanxi, na China, e estão preservados como pirita. Os pesquisadores observaram que os espécimes variam de 3 a 80 mm de comprimento, com diâmetros de abertura de 0,3 a 12 mm.
Análise de isótopos de molibdênio
A equipe de pesquisa analisou isótopos de molibdênio nos fósseis e constatou uma forte depleção de molibdênio-98, superior a 4,6 partes por mil. Esses valores baixos são semelhantes aos encontrados em vermes-tubo modernos que habitam fontes frias no fundo do mar, onde bactérias oxidantes de enxofre estão presentes. Essa análise sugere que o Conotubus hemiannulatus viveu em um ambiente onde oxigênio e sulfeto coexistiam.
Implicações da chemosimbiose
Os resultados indicam que o Conotubus hemiannulatus pode ter se envolvido em chemosimbiose, uma parceria em que microrganismos convertem substâncias químicas, como sulfeto de hidrogênio, em alimento para o hospedeiro. Essa relação simbiótica poderia ter sido crucial para a sobrevivência do animal em um ambiente hostil, onde o sulfeto é tóxico para a maioria dos organismos. O coautor do estudo, Professor David Fike, ressaltou que essa descoberta pode mudar a compreensão sobre a evolução dessas interações.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
A pesquisa sobre o Conotubus hemiannulatus e sua relação com bactérias abre novas perspectivas sobre a evolução das interações simbióticas entre organismos e microrganismos, sugerindo que tais parcerias podem ter se originado muito antes do que se pensava, durante os primórdios da vida animal.






