Estudo investiga formação de braços espirais em galáxias

Pesquisadores têm se dedicado a entender a formação e a manutenção dos braços espirais em galáxias. Um novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal, utiliza dados do telescópio Euclid para explorar essa questão, revelando padrões que podem explicar a diversidade na quantidade de braços espirais.
Contexto sobre galáxias espirais
As galáxias espirais são um dos tipos mais reconhecíveis de estruturas no universo. Exemplos clássicos incluem a Galáxia do Redemoinho (M51), que foi a primeira a ser identificada como espiral em 1845. Apesar de sua aparência simples, a dinâmica interna dessas galáxias é complexa. A rotação dos materiais nas regiões internas ocorre a uma velocidade maior do que nas extremidades, o que, teoricamente, deveria fazer com que os braços espirais se tornassem cada vez mais apertados ao longo do tempo.

Teoria das ondas de densidade
Para explicar a persistência dos braços espirais, os astrônomos desenvolveram a teoria das ondas de densidade. Essa teoria sugere que os braços funcionam como padrões de onda, semelhantes a engarrafamentos de trânsito, onde a formação do padrão se mantém, mesmo que os componentes individuais mudem. No entanto, essa teoria não consegue explicar completamente a longevidade dos braços, que deveriam ser dissipados por forças físicas ao longo do tempo.

Pesquisa recente com o telescópio Euclid
O telescópio Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), foi lançado com o objetivo de estudar a expansão do universo, mas também tem contribuído para a compreensão das galáxias espirais. A pesquisa liderada pela professora Beverly Smith, da East Tennessee State University, analisou dados de mais de 380 mil galáxias, utilizando informações catalogadas na primeira liberação de dados rápidos do Euclid. Os pesquisadores compararam galáxias com dois e três braços, identificando padrões significativos.

Resultados e implicações do estudo
Os resultados indicam que cerca de 60% a 70% das galáxias espirais observadas possuem dois braços, enquanto apenas 15% a 20% apresentam três. Galáxias com um único braço são raras e geralmente têm massas baixas em comparação com as de dois braços. Esses achados podem ajudar a elucidar como as galáxias se formam e evoluem ao longo de bilhões de anos, oferecendo novas perspectivas sobre a estrutura do universo.
O estudo representa um avanço significativo na compreensão das galáxias espirais, ao mesmo tempo em que ressalta a importância de novas tecnologias de observação, como o telescópio Euclid, para a astrofísica moderna.






