Estudo revela mecanismos distintos em erupções do Etna

Pesquisadores da Universidade Cornell identificaram que duas erupções históricas do Monte Etna, na Itália, foram impulsionadas por mecanismos subterrâneos distintos, desafiando a compreensão tradicional sobre o comportamento dos vulcões. O estudo, publicado na revista Geochemistry, Geophysics, Geosystems, fornece novas perspectivas sobre a dinâmica vulcânica e suas implicações para a avaliação de riscos.
Mecanismos de erupção do Monte Etna
A pesquisa revelou que o sistema de ‘encanamento’ do Monte Etna é complexo, com diferentes rotas de magma influenciadas por fatores como a viscosidade do magma e a presença de gases voláteis. Durante a erupção de 122 a.C., o magma subiu lentamente de uma profundidade de 22 km, estagnando entre 2 e 5 km antes de erupcionar. Em contraste, a erupção do evento Fall Stratified, ocorrida há cerca de 4.000 anos, foi caracterizada por um rápido ascenso do magma a partir de um nível de manto mais profundo, a cerca de 24 a 30 km, culminando em uma erupção em questão de horas.
Importância dos voláteis nas erupções
Os voláteis, especialmente água e dióxido de carbono, desempenham um papel crucial na explosividade das erupções. A equipe de pesquisa demonstrou que, embora a água tenha sido considerada o principal volátil, o dióxido de carbono também pode ser um fator determinante. Através de técnicas como a espectroscopia Raman, os cientistas conseguiram medir bolhas microscópicas no magma, permitindo uma análise mais precisa da pressão e profundidade das erupções.
Comparação entre erupções históricas
A comparação entre as erupções de 122 a.C. e o evento Fall Stratified ilustra como diferentes concentrações de voláteis podem afetar a dinâmica das erupções. Enquanto a primeira foi controlada por uma maior presença de água, a segunda foi impulsionada por altos níveis de dióxido de carbono, resultando em uma erupção mais rápida e explosiva. Essa variação destaca a complexidade dos sistemas vulcânicos e a necessidade de uma análise detalhada para prever comportamentos futuros.

Perspectivas futuras de pesquisa vulcanológica
Os pesquisadores da Cornell planejam aplicar as mesmas metodologias em vulcões de outras regiões, como Chile e Havai, visando uma compreensão mais abrangente dos mecanismos vulcânicos. Esteban Gazel, líder do estudo, enfatiza a importância de coletar dados em diversos vulcões para aprimorar modelos físicos de erupções, fundamentais para a avaliação de riscos e segurança em áreas vulneráveis.
As descobertas sobre o Monte Etna não apenas ampliam o conhecimento sobre a dinâmica vulcânica, mas também têm implicações diretas para a segurança de populações em áreas de risco. A pesquisa contínua nesse campo é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de mitigação de desastres naturais.






