Celtas cultivavam cereais e frutas silvestres há 2000 anos

Um estudo arqueobotânico recente revelou detalhes sobre a vida cotidiana dos Celtas, que habitavam a região do oppidum de Altenburg-Rheinau, na atual Suíça, há mais de dois mil anos. A pesquisa, publicada na revista Vegetation History and Archaeobotany, analisou restos vegetais encontrados em escavações e trouxe à tona informações sobre a dieta e os sistemas agrícolas dessa antiga civilização.
Estudo arqueobotânico revela vida cotidiana dos Celtas
O oppidum de Altenburg-Rheinau foi um importante assentamento fortificado que floresceu entre os séculos III e I a.C. Os arqueólogos têm investigado o local por anos, mas a nova pesquisa se concentra na análise de restos macrobotânicos, como sementes e fragmentos de carvão, que foram recuperados de doze fossas utilizadas pelos Celtas para armazenamento de alimentos e descarte de resíduos.
Análise de restos vegetais em Altenburg-Rheinau
Os pesquisadores analisaram 237 litros de solo das fossas, utilizando uma técnica de flutuação que permite a separação dos restos vegetais. O resultado foi a identificação de quase 6.000 sementes e frutos, além de 289 fragmentos de carvão. Essa riqueza de dados possibilitou a reconstrução da dieta e das práticas agrícolas dos Celtas.
Cereais como base da dieta celta
A pesquisa revelou que a economia vegetal de Altenburg-Rheinau era predominantemente baseada em quatro cultivos de cereais. O cevada (Hordeum vulgare) foi o mais encontrado, presente em 67% das amostras analisadas. Outros cereais significativos incluíram o espelta (Triticum spelta) e o milheto comum (Panicum miliaceum), ambos com 50% de presença. Os dados sugerem que os Celtas armazenavam os cereais em fossas, possivelmente para protegê-los da umidade.

Sistemas agrícolas sofisticados dos Celtas
O estudo também destacou a complexidade do sistema agrícola celta, que incluía práticas de rotação de culturas. Foram identificadas ervas características de cultivos de inverno e verão, indicando que os Celtas cultivavam uma variedade de plantas, como o bromo (Bromus secalinus) e a cleavers (Galium aparine). Essas práticas agrícolas diversificadas permitiram uma melhor gestão dos recursos e a maximização da produção.
As descobertas sobre a vida e a agricultura dos Celtas em Altenburg-Rheinau oferecem uma nova perspectiva sobre a complexidade das sociedades pré-romanas na Europa Central. A pesquisa contribui para o entendimento das práticas agrícolas antigas e suas implicações para a história da alimentação e da cultura na região.






