Estudo analisa calendário da seita de Qumran em novos termos

Um estudo recente da Universidade de Tel Aviv investiga o calendário de 364 dias da seita de Qumran, propondo que ele pode ter sido utilizado em diferentes momentos da história da comunidade. A pesquisa, liderada pela professora Eshbal Ratzon, busca esclarecer a relação entre esse calendário e a vida religiosa dos membros da seita.
História e evidências dos Manuscritos do Mar Morto
Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos entre 1947 e 1956, incluem uma variedade de textos que refletem as crenças e práticas da seita de Qumran. Entre eles, quase 20 rolos discutem calendários e astronomia, evidenciando a importância do calendário de 364 dias para a identidade religiosa do grupo. O estudo sugere que a seita utilizou esse calendário em seus primeiros anos, quando disputas sobre datas religiosas contribuíram para sua separação do estabelecimento de Jerusalém.
Características do calendário de 364 dias
O calendário de Qumran difere do calendário lunissolar que regia a vida judaica durante o período do Segundo Templo. Com 364 dias, ele é divisível por sete, resultando em 52 semanas completas. Essa regularidade era vista como uma ordem divina perfeita, com cada festividade ocorrendo no mesmo dia da semana. No entanto, essa simplicidade matemática gerava um problema prático, pois o calendário se tornava progressivamente desalinhado com o ano astronômico.

Desafios enfrentados pela seita de Qumran
Com o passar do tempo, a discrepância entre o calendário de 364 dias e o ano solar se tornava evidente. Após duas décadas, as festividades poderiam se deslocar quase quatro semanas em relação às estações. Essa situação se tornava insustentável para uma comunidade cuja prática religiosa estava intimamente ligada a ciclos agrícolas e safras. A pesquisa de Ratzon indica que a seita pode ter enfrentado dificuldades crescentes para manter o calendário em uso.
Implicações políticas e religiosas da adoção do calendário
As relações políticas entre a seita de Qumran e a dinastia hasmoneia também influenciaram a adoção do calendário. Durante o reinado de Alexandre Janneu, a seita pode ter encontrado um ambiente mais favorável, o que facilitou a transição para um calendário mais prático, utilizado no Templo. Assim, o calendário de 364 dias poderia ter sobrevivido como um ideal religioso, representando a ordem divina estabelecida na Criação.

A pesquisa publicada na revista Tarbiz contribui para o entendimento das complexas interações entre práticas religiosas e contextos políticos na Antiguidade, ressaltando a relevância dos Manuscritos do Mar Morto para a história do judaísmo.






